Da escolha do local à assinatura do contrato, damos um
roteiro para você comprar o primeiro imóvel.
A satisfação de ter uma casa sua, do seu estilo, comprada
com seu dinheiro, não tem preço. Ou melhor, tem e vale a pena pagar. Tanto que
os bancos emprestam todos os anos cerca de 2 bilhões de reais àqueles que
querem adquirir o bem mas não têm condições de quitar o valor à vista.
Independentemente da forma de compra ou de quanto tempo você está disposta(o) a
esperar para ter a chave do imóvel nas mãos, o mais acertado é planejar tudo em
detalhes. Isso significa decidir o tipo de imóvel que se quer, quanto
conseguirá pagar por ele e de onde virá o dinheiro. Para ajudar na empreitada,
colocamos em dez itens informações úteis para quem está em busca da casa
própria - da negociação do preço aos cuidados com a documentação e a assinatura
do contrato. Basta dar o primeiro passo!
1. O dinheiro que você tem - A primeira tarefa é fazer um
levantamento do dinheiro disponível. Se não há reserva financeira para comprar
à vista, reúna o maior valor possível para a entrada. Poupar e adiar um pouco o
projeto pode ser interessante. Afinal, quanto menos juros você pagar, melhor.
Mas quando não dá mais para esperar, o caminho é pedir um empréstimo bancário
sob regras do Sistema Financeiro da Habitação.
2. O FGTS vem na hora certa - O Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) é um grande aliado nesse momento. Para sacá-lo, é preciso ter
pelo menos três anos de registro na carteira profissional, considerando todos
os anos de trabalho. Além disso, você não deve ser proprietária de imóvel no
município em que vive e trabalha ou ter financiado outro pelo Sistema
Financeiro de Habitação em qualquer lugar do país. O valor do que você quer comprar
só pode chegar a 300 mil reais. Há três maneiras de usar os recursos: na
entrada, para quitar o saldo devedor ou para abater as prestações. Para
descobrir qual o saldo da sua conta, vá a agência da Caixa Econômica Federal
com o número de inscrição no PIS/Pasep ou acesse o site www.cef.com.br.
3. O dinheiro que você pode ter - Somando sua reserva
financeira com o FGTS, você saberá de quanto dispõe para dar de entrada em um
imóvel. E quanto ao que falta? Uma opção é poupar mensalmente até completar o
valor. Outra é recorrer ao crédito imobiliário. Para ter uma noção mais
realista do montante que pedirá aos bancos, vale acessar os sites das
instituições financeiras. Várias delas, como a CEF, o Itaú e o BankBoston,
fazem simulação on-line, com base na sua renda, do valor que estariam dispostas
a lhe emprestar. É exigida uma renda mínima mensal, que varia de banco para
banco.
4. À procura do imóvel - Com noção do que pode pagar, comece
a procurar a casa dos seus sonhos. Ou, pelo menos, a que cabe no orçamento.
Fique de olho em anúncios, fale com corretoras de imóveis ou percorra os
bairros de que mais gosta em busca de placas de "vende-se". Os
especialistas recomendam visitar o imóvel escolhido em horários diferentes.
"O ideal é ir quase todos os dias da semana", diz o advogado.
"Já pensou descobrir depois que há uma feira bem na sua porta?" Veja
se o imóvel é arejado, se recebe a luz do sol. Esses detalhes farão diferença
quando você estiver acordando lá todos os dias.
5. A hora da barganha - Gostou do imóvel? Não se impressione
com o primeiro preço que o corretor pedir. "Normalmente o valor é jogado
para cima", comenta o especialista. O corretor, claro, recebe comissão e é
parte interessada. Mas as vendas andam difíceis, há espaço para negociar. Por
isso, e também pelo fato de você estar comprando uma casa e não um par de
sapatos, fique impassível diante de pressões tipo "se não decidir agora,
perde a oportunidade", muitíssimo comum entre os vendedores. Confira o
preço do metro quadrado na região, que costuma sair em jornais, converse com
pessoas que já compraram apartamentos no mesmo prédio ou casas e terrenos na
vizinhança. Pode dar uma boa medida de quanto realmente vale aquele que você
quer.
6. Investigar é preciso - Parabéns! Você descobriu uma casa
excelente, com localização sob medida para suas necessidades e, o melhor, do
tamanho do seu bolso. Tudo quase perfeito. Falta verificar se a papelada está
em dia antes de assinar qualquer papel. Vá ao cartório de registro de imóveis
mais próximo do endereço escolhido, para saber se o imóvel está hipotecado, se
é objeto de discussão judicial ou se está alugado. O vendedor também deve
apresentar certidões para comprovar que não existem pendências na Justiça.
Outra alternativa é procurar um advogado para checar tudo. É um investimento
razoável, mas evita dores de cabeça mais tarde. Um parecer por escrito custa
500 reais, de acordo com a tabela da Ordem dos Advogados do Brasil. Em caso de
financiamento, os bancos fazem a avaliação jurídica e cobram uma taxa obrigatória
pelo levantamento.
7. O dono do cofre - A etapa seguinte é escolher onde pedir
o empréstimo. Pesquise. Os prazos, o rendimento mínimo exigido e a
possibilidade de somar sua renda com a de outra pessoa variam de banco para
banco. Há dois tipos principais de financiamento: o Sistema Financeiro da
Habitação (SFH) e a carteira hipotecária. O SFH é mais barato - os juros estão
limitados a 12% ao ano mais TR, mas o valor do imóvel não pode superar 300 mil
reais e o total financiado 150 mil reais. No outro tipo,não há valor-limite, só
que os juros também aumentam.
8. Prestação do tamanho do bolso - Definido o tipo de
financiamento, é preciso verificar o método que será utilizado para calcular as
prestações. Prepare-se para mais uma salada de termos técnicos. Os mecanismos
mais usados são a tabela Price e o Sistema de Amortização Constante (SAC). A
recomendação do Instituo Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) é clara.
"Podendo, é melhor evitar sistemas que usem a tabela Price", afirma o
especialista. O órgão está com um processo na Justiça contra vários bancos por
causa da aplicação desse modelo que cobra juros sobre juros, o que é ilegal.
Mas nem sempre o comprador tem alternativa, pois as prestações iniciais são
mais baixas na tabela Price do que no SAC. O quadro muda no decorrer do
contrato: no primeiro, a prestação só cresce, enquanto no SAC diminui. Os sites
dos simulam financiamentos pelos dois sistemas.
9. Assinou, não leu... - Contratos de compra e venda são
longos e complicados. O ideal é pedir a um advogado para dar uma olhada e
sugerir eventuais mudanças. Você também pode consultar um órgão de defesa do
consumidor para esclarecer dúvidas. O Procon-SP alerta sobre a necessidade de
acrescentar uma cláusula de rescisão caso a compra dependa de financiamento e o
crédito não seja liberado. Outro detalhe: se a compra for fechada em parceria
com o namorado, é importante descrever no documento a parte de cada um no
negócio. Deixará claro o porcentual dele e o seu se desistirem de casar.
"Sem isso, se ficar no nome dos dois, o imóvel será dividido pela metade,
não importa quem pagou mais", explica o advogado.
10. Mais gastos no final - É importante lembrar que na
prestação do financiamento também são incluídos dois seguros obrigatórios -
seguro de vida do proprietário e danos ao imóvel, que correspondem a cerca de
7% a 10% do valor da parcela mensal. Além disso, prepare-se para outros gastos
extras: taxa de análise do crédito e de avaliação do imóvel, cobradas pelo
banco; custo de registro do contrato em cartório; e Imposto de Transmissão de
Bens Intervivos, tributo que varia de acordo com o município. Reserve pelo
menos 2% do valor do bem para essas despesas. Com toda a documentação
legalizada, pode chamar os amigos e comemorar a aquisição. A casa é sua!
São Paulo, 16 de Setembro de 2011
Artigo copiado da revista Qual Imóveis